Principal

Novidades

Enviar novidade

Artigos

Downloads

Links

Registre-se
top_nav (1K)

ABEAS
Fale Conosco
Histórico
Instituição
Atividades
Criação
Diretoria
Estatuto
Papel Político
Presidentes
Publicações
Editorial
Revista da ABEAS
Informativos

Ensino Superior
Diretrizes Curriculares
Novas Propostas
Instituições Federais
CNE
Fale com o MEC

Cursos
Apresentação
Metodologia
Catálogo
Inscrição
Regulamento
Campus Virtual

Consultoria
Meio Ambiente
Recursos Naturais
Sócio-Econômicos
Cartografia
Anál. Laboratoriais
Outras Atividades

Filiadas
Cadastro de IES
Norte
Nordeste
Centro Oeste
Sudeste
Sul

Downloads
Arquivos


O Show das Cooperativas
O Show das Cooperativas
Autor Ventura 03/03/2004

Índice

» O Show das Cooperat...

Quem imagina haver oposição entre agricultores familiares e produtores empresariais no campo precisa visitar o Paraná. Lá, conhecendo o trabalho do cooperativismo, vai descobrir que essa idéia da tecnologia moderna ser contra os pequenos é pura bobice.

Sofrido desde a grande geada de 1975, quando viu seus cafezais torrados, o meio rural paranaense vira a página e dá a volta por cima. São as lavouras de grãos, agora, que impulsionam o progresso. Ganhos extraordinários de produtividade se verificam: no oeste, a média da produção de milho por hectare cultivado saltou de 3 500 para 8 000 kilos. Um salto extraordinário, em apenas 15 anos.

Essa trajetória de sucesso conta com o vigoroso alicerce das cooperativas agropecuárias, que promovem uma verdadeira revolução tecnológica e gerencial. Três delas são exemplares: a Cocamar, a Coamo e a Copavel. Fazem história no Paraná.

Basta comparecer ao Show Rural organizado em Cascavel, no oeste paranaense. Nascido há 16 anos, neste fevereiro atraiu acima de 130 mil agricultores e técnicos, visitando a exposição que representa o supra-sumo da tecnologia agropecuária do país.

Chama a atenção o zelo no recinto. O paisagismo belíssimo, a limpeza absoluta. A cada dez metros, uma lixeira. Não se observa um único papel ou uma bituca de cigarro no chão; os banheiros são asseados. Parece filme de mentira.

Acostumada à sujeira do barro, a botina brilhante indica estar retornando o orgulho perdido do agricultor brasileiro. Esquecido pela urbanização acelerada, ele relaxou consigo mesmo. Cabisbaixo, viu a sociedade elevar seu preconceito contra o caipira. Pobre país que despreza sua agricultura.

Mas a roça levanta a cabeça e mostra sua civilidade. Contrapõe a paisagem telúrica à imundície da cidade, atolada no drama da marginalidade. Assim, vendo brotar da terra o progresso, que se espalha por toda a economia, a urbe revaloriza o campo. O ruralismo, antes confinado às riquezas da oligarquia, agora alimenta cadeias produtivas complexas, que se espraiam pelas cidades, gerando renda e empregos fora das fazendas. São os agronegócios, ramificados, escondidos na indústria e no comércio.

A tecnologia moderna vai rompendo barreiras. No passado, os cafezais se expandiam pelas manchas de terra roxa, sugando-lhes a fertilidade natural. Agora, a soja se aventa pelos solos brancos do arenito Caiuá, assombrando velhos conceitos.

Cerca de 3,2 milhões de hectares de terras naturalmente fracas, tidas antes como imprestáveis, incorporam-se à produção rural graças ao trabalho pioneiro da Cocamar, a mais diversificada cooperativa do Brasil. Utilizando-se do plantio direto na palha, que define um padrão superior de tecnologia - a verdadeira agronomia tropical - as culturas apresentam níveis de produtividade surpreendentes. O arenito, primo pobre da terra-roxa, ganhou status, copiando o sucesso dos cerrados brasileiros. Suas terras, desvalorizadas, subiram de preço 10 vezes, em 5 anos. Ninguém acredita.

Pastagens degradadas cedem lugar a lavouras espetaculares, conservando os solos, gerando renda e empregos em uma centena de municípios pobres. Semi-paralizados desde a quebra do café, reerguem-se pelos braços do cooperativismo empreendedor da Cocamar. A bela Maringá está orgulhosa.

Corre o mundo a produção agrícola do Paraná. Seu milho vai à Espanha, a soja ganha a China. Quem lidera esse comércio internacional é a Coamo, a maior exportadora cooperativa do país. Poucos poderão imaginar o profissionalismo e a competência organizados na distante Campo Mourão, no Paraná. Com um faturamento bruto superior a R$ 3 bilhões e exportação prevista de US$ 650 milhões, a Coamo supera qualquer idéia atrasada que exista ainda sobre a agropecuária nacional.

Tanta riqueza é repartida: a cooperativa distribuirá aos associados, neste mês, R$ 73 milhões das "sobras" de seu balanço. Um pequeno agricultor, com 20 hectares, por exemplo, receberá uma bonificação extra ao redor de R$ 2 mil. Bela quaresma!

Essas três feras - Copavel, Cocamar e Coamo - expressam um cooperativismo revigorado que, de rural, passou a agroindustrial. E, da administração caduca, ensina o gerenciamento responsável. Na tecnologia, fornece o degrau para os menores se levantarem. Em todo o Estado, 93 mil agricultores estão associados às cooperativas, sendo 88% familiares, com áreas menores de 100 hectares. Democracia pura!

Sem seu trabalho de assistência técnica e apoio comercial, esses pequenos agricultores teriam sucumbido nos dilemas da competição. As estatísticas dos departamentos agronômicos atestam que os produtores familiares apresentam rendimentos iguais e até mesmo superiores aos grandes agricultores. Mais que na produção, na cultura e na ideologia se descobre que os pequenos agricultores sentem-se fortes, participantes, cidadãos plenos.

Enquanto essa verdadeira revolução silenciosa varre o interior do Paraná, os chamados sem-terra depredam pedágios com o apoio de seu governador. Paradoxalmente, não é o reino da produção que ele apóia, mas sim o mundo da confusão. Ao invés de aplaudir o show das cooperativas, dá um tapa na cara dos agricultores. Joga para a mídia, não no time do trabalho. Marca gol contra.

Autor: Xico Graziano


 This website was created with phpWebThings.
(c)2006 Copyright, Equipe Web ABEAS